quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tenho que escrever antes que as ideias fujam e então o melhor é aproveitar a travadinha que chega de comboio até mim nesta primeira manhã setembrista.
Hoje não me apetece abrir a pestana. Era tão bom se pudéssemos viver com elas fechadas. A tempo inteiro elas seria uma loja fechada, uma empresa falida, sem dinheiro para pagar aos seus funcionários;
Olhos para que te quero?
Para nada, diria eu se nada fosse efectivamente a sua funcionalidade. O azar foi terem descoberto que eles são úteis para ver. De certo que nessa altura ainda não devia haver coisas feias que fazem mal a quem as vê.
Diz-me lá Vicente se não seríamos todos, ou pelo menos eu, mais bonitos de olhos caídos, cansados pela natureza do seu sal e do seu sol, pelo sono. E toda esta conversa para te dizer que preferia estar morta, branca, sem sangue. Que paz seria olhar para mim de olhos fechados, a dormir para sempre. Ou talvez não. Nunca fui uma pessoa de paz, mas também nunca me olhei ao espelho e pensei tu és guerra!. Para ser franca, acho que o meu reflexo nem faz pensar em nada.
E não, não estou a ouvir a mais deprimente de todas as músicas. Estou em silêncio, sem pássaros azuis lá fora; só lá ao fundo se escutam os sons da TV que por sinal não constitui uma boa música ambiente. E mais próximo, consigo ouvir a consciência a dizer vá, agora escreve que és uma manteigosa e nem sabes porquê e que tens medo de amanhã descobrires que vais ser mesmo aquilo de que tanto receio tens: uma entre tantas uma’s, que não fazem mais nada no mundo a não ser ocupar espaço e gastar o pouco oxigénio que ainda existe.
O português exige que haja uma ordem normal para o sujeito, verbo e predicado. Perceba se não que significa não que o estranho fica tudo ordem a trocarmos lhe se mas. Vicente, percebes me que diz.

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