sábado, 10 de setembro de 2011

Que voz doce.. Doce como o crepitar das chamas na lareira, no dia mais frio do Inverno. No dia que pelo menos cheira ao mais frio do Inverno, o Natal. Doce como o sol que raia numa manhã de Verão entre cheiros de pão fresco, relva acabada de cortar e maresia a entrar pela janela sem pedir licença.
Sai de bem perto do meu peito, mas não vem de mim. Vem do meu sonho. Que se deita sobre o meu peito, que oscila para cima e para baixo na suave ondulação da minha respiração. A doce voz foge, tal qual ladrão discreto e silencioso, por entre lábios carnalmente vermelhos, vermelhos do sangue que durante a última noite eu puxei em longos e profundos beijos.
Canta-me ao ouvido, como se o fizesse ao longo de anos e anos, tudo isto numa só manhã.
Diz-me que me ama. Pede-me mais uma noite. Pede-me mais uma manhã. Pede-me mais sexo. Pede-me mais amor. Pede-me mais, muito mais, beijos.
Eu dou. Mais uma noite. Mais uma manhã. Mais sexo. Mais amor. Mais, muito mais, beijos.
Recosto o cabeça na cabeceira da cama. No meu peito nu a voz doce recosta a dela e balança, manhã após manhã, embalada na ondulação da minha suave respiração.

C. também sonhas com coisas menos mortas? Coisas vivas.

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