Saudade dizes tu. Saudade dizia também ele.
Juro que é nestes dias que gostava de saber o que é o amor e poder experimentá-lo. Vesti-lo no inverno e deixar de lado as roupas de verão, outono ou primavera. Usá-lo como luvas, meias, camisola de lã, calças de ganga e, quem sabe, lingerie.
Como deve ser bom comprar amor em lojas de roupa; ver uma de longe, correr a loja toda e não ver mais nenhuma, se não aquela, mais bonita, mais quente, mais colorida, mais berrante mesmo se os seus tons não atingem os fluorescentes e apenas as cores velhas que se usam nestes últimos invernos. Como deve ser bom experimentar e sentir que fomos a primeira pessoa a fazê-lo.
E tu sabes o que é o amor? Eu imagino-o quente, embora o sinta gelado; dá-me tanto frio quando lhe toco. E imagino-o também com as mãos grandes e compridas, magras de fome, onde paradoxalmente cabem as minhas (pouco femininas). O resto não consigo imaginar: só consigo ver-lhe as mãos.
Sabes quando o sentes que já não cabe em ti tanto (des)amor? sim, sabes. Eu sei que sabes.
