domingo, 3 de fevereiro de 2013


"O bicho que sou... naqueles dias em que sonho ao vento".
E tu, que bicho és meu querido Vicente?

Como sinto a tua falta; como sinto a falta desse bicho que mora dentro de ti (ao qual nunca soube dar um nome; mas também, que importa isso?). Que falta sinto de sonhar a teu lado, mesmo se foram poucas as vezes (ou raras, mesmo) em que o fizémos.
Pergunto-me porque sinto falta de tanta coisa e se a falta não é mais do que o pensamento a cantar-me nas artérias. Pergunto-me se o que canta ele não são mais do que músicas mudas, daquelas sem vozes, só melodia, só eco (porque no fundo, a falta são ecos de qualquer coisa e de tudo ao mesmo tempo, que nos lembram os pensamentos cantantes).

Diz-me em que dia voltamos a tocar-nos para ouvir esta mesma música. Nesse dia, quero falar-te d'"O bicho que sou... naqueles dias em que sonho ao vento". E tu falas-me do teu.

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