domingo, 8 de julho de 2012

na manhã de Domingo




Como te percebo nesta manhã de Domingo, Vicente. E como estranhamente te percebo em todas as manhãs de Domingo.

Pergunto às minhas mãos se elas têm algum dom da escrita ou se sou eu apenas a visitar-me e a gostar das coisas vãs que escrevo. O mais engraçado é que só consigo escrever coisas tristes porque só apenas as coisas tristes me escrevem e me devolvem cartas. Não que não viva coisas bonitas, não que viva eu num estado depressivo mais deprimido que as cores deprimidas do Inverno. Certo é que, só consigo escrever o lado sujo. Deve ser a minha mania das limpezas a gritar-me pelos poros. Achas?
Também gostava que me lessem e que gostassem de perceber, que tivessem o mesmo bichinho da curiosidade que tenho eu quando leio os teus textos ou outros, até. “O que será que está ele a pensar? O que sente ele? O que dirão os olhos dele enquanto escrevem?”. Afinal de contas, o ser humano é das coisas mais estranhas e, por muito que a ciência diga que já o conhece muito bem, eu continuo a achar que é das espécies mais mal descobertas.

Como te percebo nesta manhã soalheira de Domingo, em que estou mole, muito mole, e cheia de sono mas, por achar que estar na cama é um desperdício de tempo, saltei dela para te olhar (com saudade). Para te sonhar e para sonhar como faço tantas vezes.

Sabes, cada vez mais percebo que crescer faz das pessoas seres tão comuns, sem sonhos, sem vida, sem nada. Achas que todos temos sonhos? Achas que eles comandam mesmo a vida ou somos nós que os comandamos Vicente? Gostava que fossem eles a saber de nós, a olhar por nós e a fazer de nós o que eles querem e não o inverso.
Conta-me os teus SONHOS.

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